*O termo epílogo significa conclusão. Indica a parte final de um discurso, no qual é feito um resumo final das ideias expostas, ou onde é apresentado o desfecho da história.
"Espero que um dia encontres alguém que te faça feliz, porque eu não posso." Com esta frase, despediste-te de mim um dia. Proferiste-a e ainda hoje não sei se a sentiste, mas foi a única vez que foste honesto comigo. Durante todos estes anos questionei-me se tudo o que vivemos foi real, ou se nos limitámos a ser personagens de uma história.
Finalmente, cheguei à conclusão que a história foi minha. Só minha. Ofereci-ta de bandeja. Afinal, eras tu o amor da minha vida e não o contrário.
Eu cresci a sonhar contigo. Tinha tão somente 14 anos quando me apaixonei por ti. Cresci a sonhar ficar do teu lado a vida toda. Esperava, no silêncio, o dia em que o destino te traria à minha porta. E ele trouxe. Mas a história foi minha. Fui eu que a criei, vivi e alimentei. Tu limitaste-te a receber. Cresci contigo nos meus sonhos. Namorei à procura de encontrar nos outros o teu sorriso. Casei e fui mãe e nem assim o sonho e a paixão se desvaneceram. Era nova, imatura e casei na esperança de viver uma história de amor que só seria possível contigo mas tu estavas "longe", fora do meu alcance. Vivi 14 anos à tua espera. Imaginei mil e uma vezes como seria um encontro entre nós. E vivi esses 14 anos com as memórias de uma história que acabou sem começar... Secretamente ansiava por voltar a ter a oportunidade de te beijar mais uma vez. De confirmar se o que sentia era recíproco. E fui crescendo. Fui namorando. Fui vivendo. Sempre com o fantasma daquele homem, tu, que eras o amor da minha vida. Disse-to um dia, que tinha essa certeza. Tu riste e brincaste que eu não sabia o que era o amor, que tinha 14 anos e que ainda não podia saber tal coisa. Mas sabia.
E um dia, o destino trouxe-te. E a história que nunca tinha começado ganhou vida de uma forma impetuosa, intensa e muito louca! Esperei 14 anos mas valeu todos os segundos dessa espera.O meu coração triplicou de tamanho só para poder guardar o tanto amor que te tinha! Num segundo, naquele segundo que te voltei a beijar, a minha vida ganhou sentido. Aquele vazio que sempre senti só desapareceu a partir do momento que tu estavas lá. Foi a única vez na minha vida que me senti completa. Estranhamente completa. E começou assim a mais bonita história de amor. A minha. Entre nós nem as palavras faziam falta. 14 anos sem nos vermos e no entanto conseguíamos ler os pensamentos um do outro, terminar as frases. A cumplicidade era até assustadora! Os mesmos gostos, os mesmo sonhos, personalidades que se completavam. E então comecei a acreditar que o que sentia era recíproco. Que também tu tinhas esperado por mim aqueles anos todos.. E entreguei-me de corpo, alma e coração à paixão que te tinha.
Desde esse dia nada mais importava. Tudo o que eu queria era ser feliz contigo. Ver-te feliz. Tornar os sonhos em realidade. Construir contigo um futuro, um lar. Provocar invejas violentas nos outros quando vissem e sentissem o quão felizes nós éramos! Finalmente estava nos teus braços. Algo porque tanto tinha esperado. Foi como se o mundo fosse meu. Como se tivesse alcançado o céu. O meu coração e a minha alma rebentavam de tanta alegria e de tanto amor. Nem as minhas hormonas resistiram a tanta emoção! Ia ficando doida! E comecei a viver uma história linda...
Pela primeira vez na minha vida senti coisas que nunca tinha sentido. Paixão, desejo avassalador, ciúmes e medo de perder a pessoa que me fazia sentir tantas coisas... Nunca antes tinha sentido ciúmes. Dizia sempre que isso era coisa para pessoas desconfiadas e inseguras. Quando te reencontrei, encontrei em mim um fundo sem fim de sentimentos e de esperança que afinal era possível amar em toda a sua plenitude. Na altura estava determinada que não voltaria a casar nem a ter filhos. Tinha quase 28 anos, divorciada e apenas queria ser livre. Viver. Não procurava nada nem ninguém. Estava a saborear uma fase da minha vida que me trazia outros sonhos. Tinha aprendido a viver sozinha e tinha começado a gostar muito de mim. Sentia-me bem. Tinha ultrapassado o pior e estava de peito aberto para a vida. Sem medo nem remorsos ou culpa.
Quando tu reapareceste, foi um turbilhão! Uma volta de 180 graus em mim! Vivi contigo alguns dos melhores momentos da minha vida. Tenho a certeza que direi o mesmo daqui a 20 ou 30 anos se lá chegar. Conheci o amor sem limites, o mundo de um sexo que nunca tinha experimentado. Uma paixão e uma entrega que jamais tinha existido. Vivi momentos fabulosos. Partilhei contigo os meus medos, os meus receios, os meus sonhos. Fiz coisas loucas que nunca imaginei ser possível, como sair de casa de madrugada, de pijama e com uma lata de spray na mão. Perdi todo o pudor que ainda existia em mim. Despi-me aos teus olhos como nunca tinha feito com ninguém e confesso que até certo ponto acho impossível voltar a fazer. Toda aquele arrojo desapareceu no dia em que também tu desapareceste. Das vezes que tentei é como se saísse esforçado. Pouco natural. Mas contigo era fácil. Sentia-me bem naquele papel de "femme fatale" que me permitia os tangos, as fotos, os strips, as ligas e os saltos altos... Acredito que uma parte de mim só existia contigo.
E vivi de uma forma fascinante momentos simples, como um jantar em que aprendi a saborear um bom vinho tinto. Ou um piquenique de madrugada improvisado no chão da sala, frente à lareira. E fui a lugares maravilhosos, como a Serra da Estrela ou ao Gerês. Aiii o Gerês! Fui tão feliz contigo lá. Tenho milhares de recordações do teu lado. Dezenas de milhares talvez. Fui muito feliz. E para mim teria sido fácil ter ficado contigo sempre. Hoje sei que talvez não fosse feliz, mas tinha ficado. Porque todas as histórias têm o seu lado ruim e a minha tem um lado mesmo negro. As tuas cenas de ciúmes, as tuas perseguições até para o meu trabalho, as tuas desconfianças, a tua possessividade, a tua raiva só porque umas calças me ficavam bem. Depois começou a ser porque me maquilhava, depois porque andava demasiado arranjada e pintava as unhas. Comecei por te fazer as vontades na esperança de que fosse só insegurança. Estava cega de amor. Tomar café ou ter amigos passou a ser impossível só para evitar discussões. E a mulher fantástica de quem te reaproximaste quando eu tinha 27 anos já tinha praticamente desaparecido aos 32. Transformaste um sonho num pesadelo. Contigo, conheci o céu e o inferno. Fui manipulada, vitima de uma violência psicológica assustadora. Hoje tenho consciência disso. Tu, sem moral nenhuma para o fazer, impediste-me de viver, de sonhar e de ser feliz. E no entanto, estava tão enraizada em mim a ideia de ficar contigo, o amor da minha vida, que tudo te aceitei e só queria ficar do teu lado.
4 anos de uma história em que duvidaste de tudo o que te dizia, do que sentia.Em que tudo para ti precisava de provas. Em que fizeste um jogo fora de série e conseguiste que uma mulher extraordinária, inteligente e muito apaixonada virasse um farrapo. Eu, que nem imaginava olhar para outro homem. Que te tinha num pedestal! Que tinha sido capaz de tudo para ficar contigo e que fui capaz de muita coisa e de muita paciência para ver chegar esse dia. Lembro-me de quando tinha 15 anos, ter chorado 4 anos por ti. Tinha quase 19 quando consegui voltar a namorar. Chorei baba e ranho 4 anos. Chorei muito, imenso. Como se o mundo fosse acabar. Mas não se compara ao que me fizeste chorar durante os 4 que durou a nossa relação! Fui tão infeliz tantas vezes. Chorei tanto. Mas quando estava contigo, estupidificava e não conseguia deixar-te. Não podia. Eras o amor da minha vida e tinha a certeza que não seria feliz sem ti. Estúpidas certezas. Umas vezes estão certas, outras são apenas um efeito do nosso sentimento...
Foram precisos mais de 3 anos, muita paciência e alguma terapia para recuperar dos danos causados por ti na minha vida. Só em Dezembro de 2009 comecei a namorar, curiosamente um ano depois da nossa relação ter terminado, apesar de saber que para ti já tinha terminado muito antes disso uma vez que desde Março mantinhas outro relacionamento. Eu disse que comecei a namorar, mas na verdade, comecei a ser namorada. Apareceu uma pessoa que apanhou nos meus cacos com muito carinho e ternura e se mostrou determinado a colar todos os bocadinhos , ouviu a minha história, limpou as minhas lágrimas algumas vezes, poucas vezes felizmente, porque depois do fim, chorei curiosamente muito pouco! E insistiu, cortejou, namorou, amou, mimou e me fez sorrir e rir. Um dia este homem disse-me assim: " Sei que um dia ele vai voltar a bater à tua porta. E eu só espero ter-te amado o suficiente para que tu decidas nesse momento que queres ficar comigo." E nesse dia eu decidi que era este o homem que eu ia amar e que queria na minha vida. Porque ele sim, amou-me até quando eu menos mereci e sabendo que eu não o amava como ele esperava ser amado.
Às vezes somos infelizes porque permitimos que nos roubem os sonhos. Tu roubaste os meus. O sonho de ter um lar, ter gémeos, casar na praia. Tudo meu. Sonhos meus. A nossa história existiu porque eu tinha para dar e tu limitaste-te a esticar a mão e apanhar. Nada mais. Com um tremendo egoísmo e falsidade. Fizeste sofrer todos à tua volta porque infelizmente não fui só eu a magoar-me com tudo isto. E se eu insisti em manter a nossa relação contra tudo e todos foi porque estava decidida a ser fiel a mim mesma e porque acreditei nas tuas promessas. Porque eras TU. Mas tu nunca entendeste isso, nem entenderás. Não me arrependo. Viver a minha história de amor, só provou o quanto eu sou honesta comigo mesma! Durante aqueles 14 anos que esperei por ti, sempre disse que se batesses à minha porta para me dizer para ir contigo, eu me limitaria a fechar a porta atrás de mim e que iria mesmo que estivesse de pijama e chinelos. E quando a hora chegou, eu fiz isso. Fui viver a minha história. O meu grande amor. Porque acredito no amor. Felizmente, hoje, acredito ainda mais.
Mas se voltasse atrás, faria exactamente o mesmo. Porque a minha história, minha, ninguém me tirará. Nem os momentos, nem as lembranças, nem o quanto cresci e o quão orgulhosa estou de mim, que mesmo depois de tudo o que sofri, encontrei o amor. Por isso casei, por isso sou feliz, por isso terei filhos, oxalá os gémeos rapazes com que sempre sonhei! Porque estes são sonhos meus que tu apenas fingiste estarem no teu coração. E mesmo sabendo que um dia te disse que sem ti jamais realizaria esses sonhos porque só faziam sentido contigo, que por causa dessa promessa me retraí quando fui pedida em casamento, que por causa dessa promessa disse que não queria filhos, hoje digo-te que estou livre dessa promessa. Se tu, não cumpriste nenhuma das tuas, porque haveria eu de ficar presa a uma que fiz mas que só eu levei a sério e só eu acreditei?
Alguém me perguntou um dia, "tens a certeza que ele te amou? Diz-me uma acção, uma só, que prove que ele te amou. Porque amar por palavras é fácil. E quem não mantinha uma relação com uma mulher fantástica como tu que lhe fazia as vontades todas?" Perante esta pergunta que me pedia um momento concreto, não encontrei nenhum. Nem um só que provasse que fui amada por ti. Porque todos os momentos foram criados por mim e fui eu que os proporcionei. Lembro-me de te ver feliz. Isso lembro. Especialmente no Gerês, com o molotof nas bochechas e de te ver rir e sorrir como uma criança. Leve e feliz. Como até duvido que voltes a ser... Sim, tenho dezenas de milhares de memórias. Não memorizei as datas da maioria delas, como tu memorizavas, mas lembro. Especialmente de uma noite nas escadas em Espinho a olhar o mar em que me fizeste a mais bonita das promessas. Não sei que dia foi, nem em que mês, mas lembro. Infelizmente, não me lembro só do bom. Tanto me atormentou essa noite nas escadas... Isso e lembrar-me de ti, agarrado a mim a chorar a implorar que não te deixasse, quando já tinhas outra mulher na tua cama... Tantas perguntas ficarão por responder...
De qualquer das formas, este fim é só para eu reclamar o que é meu, porque já não procuro respostas nem explicações. Apenas para reclamar o que é meu. Os meus sonhos, o direito de amar e ser amada, de ter filhos, de viver. Algo que decidi fazer desde sempre e que tu interrompeste e roubaste quando bateste à minha porta em 2004. Fui contigo. Fui feliz (apesar de tudo). Foi uma aventura. Foi especial, único. Fui. Mas estou de regresso (já há alguns meses) à minha vida e à minha história. Deixei para trás tudo o que não interessa. Farás sempre parte de mim, amarei sempre as recordações do que foi. De uma maneira estranha, que poucos ou nenhuns entenderão, continuarei a amar-te.
Oxalá sejas feliz, um terço do que eu já sou, porque será imenso. E obrigada por tudo o que me deixaste dar-te, porque ao ter dado, recebi mais do que tu alguma vez conseguirás entender.
Até sempre

